Hipóteses para o Amor e a Verdade
Hipóteses para o Amor e a Verdade, Hipóteses para o Amor e a Verdade tem como mote a vida de pessoas anônimas do centro de São Paulo, suas crenças e seus afetos diante da Nova Humanidade.
Classificação: 18 anos
Produzida pela Cia. de Teatro Os Satyros, a peça está em cartaz no Espaço dos Satyros Um aos sábados, 19h, e domingos, 21h. Acompanhe tudo sobre o espetáculo no twitter.
Os atores utilizam câmeras digitais, mensagens de texto, sites e salas de bate papo na internet, bluetooth, entre outros recursos. Tudo isto em tempo real. Já os espectadores serão convidados a participar da experiência, deixando seus celulares ligados, para que o contato virtual seja possível durante toda a apresentação.
Entre as diversas situações teatrais, surgem personagens como o nerd solitário que só se realiza amorosa e sexualmente através da internet; o Adão do século XXI; a prostituta Madalena que trabalha na noite; a velha catatônica e sua enfermeira; o gerente de fábrica amante da luxúria; a travesti que é guia turística das micro-humanidades do centro e o Homem-Bomba, surgido em uma transformação ocorrida num presídio feminino.
O espetáculo também discute os caminhos do teatro no novo milênio, onde se apresentam conceitos e procedimentos inéditos como realidade expandida, pós-homem, engenharia genética e virtualidade. Estas situações teatrais são apresentadas de forma aleatória, com várias intervenções tecnológicas tanto da parte dos atores quanto dos espectadores, propondo novas formas de relação teatral. Os espectadores são convidados a participar de um espetáculo de teatro expandido e deixar, por exemplo, seus telefones celulares ligados durante toda a apresentação, pois várias das situações propostas pelo elenco serão realizadas através de recursos do celular.
Entre as diversas situações teatrais, surgem personagens como o nerd solitário que só se realiza amorosa e sexualmente através da internet; o Adão do século XXI; a prostituta Madalena que trabalha na noite; a velha catatônica e sua enfermeira; o gerente de fábrica amante da luxúria; a travesti que é guia turística das micro-humanidades do centro e o Homem-Bomba, surgido em uma transformação ocorrida num presídio feminino.
Pesquisa
O processo de criação de “Hipóteses para o Amor e a Verdade” teve início com depoimentos de moradores e trabalhadores da região central de São Paulo, recolhidos em entrevistas. Num segundo momento o grupo refletiu sobre conceitos do debate contemporâneo, como o mundo virtual e as novas dimensões que este traz para a experiência humana e para o teatro. O grupo trabalhou especialmente os conceitos da pós-humanidade e da realidade expandida (augmented reality), e suas dimensões, de acordo com o pesquisador Ronald Azuma, da Universidade da Carolina do Norte.
A partir das entrevistas realizadas com moradores, frequentadores e trabalhadores do centro de São Paulo, a equipe do espetáculo pôde observar como se desenvolvem as estratégias de sobrevivência ideológica, emocional e afetiva dos habitantes de uma grande metrópole.
Tais depoimentos trouxeram uma nova percepção da condição humana: a solidão, as formas de superá-la, a internet como forma de estar no mundo, o medo dos afetos, o isolamento da velhice, a dependência química e farmacológica, as perspectivas da engenharia genética na percepção do nosso papel no mundo, entre outras.
Vivemos o tempo do esquecimento, do viver o presente e abandonar passado e futuro. Tudo é simultâneo, veloz, global e angustiante. Os medicamentos recriam nossas personas sociais. As operações plásticas recriam nossos corpos. A internet cria uma nova identidade para cada um. As fronteiras entre o público e o privado esmorecem. A engenharia genética nos permite pensar o corpo humano em formas jamais imaginadas.
No meio deste turbilhão em que o real e o virtual se fundem; o biológico e o tecnológico se indistinguem; a identidade e a alteridade se diluem e a Humanidade acaba se redefinindo. Os velhos conceitos do que é humano desabaram.
Realidade Expandida
Nossa vida hoje mal consegue reconhecer o real e o virtual, torna-se interativa em tempo real e está assumindo a 3D. A ideia do Humano já não pode ser mais restrita ao conceito clássico. O ser humano assumiu uma miríade de personas, reais e virtuais, analógicas ou digitais, fisicamente naturais ou fabricadas artificialmente que acabam muitas vezes por se desprender do corpo que as criou.
Como se torna a experiência humana neste Admirável Mundo Tecnológico? Como se transforma a solidão com a utilização de um celular, MSN, Internet, Orkut, Facebook, Twitter? Podemos considerar que a experiência da solidão se modificou? E quanto ao amor? É possível pensar o Amor com as categorias clássicas do Romantismo burguês?
Os atores vão, ao vivo, realizar performances com câmeras digitais, mensagens de texto, sites e salas de bate papo na internet, bluetooth, entre outros recursos. Tudo isto em tempo real.
Os espectadores serão convidados a participar da experiência, deixando seus celulares ligados, para que o contato virtual seja possível durante toda a apresentação. Caso os espectadores recebam ligações pessoais, eles poderão atendê-las durante o espetáculo, sem nenhum constrangimento. O espetáculo vai incluir todas as manifestações da máquina-alterego chamada celular. Aos espectadores com equipamentos de celular mais avançados, será possível também navegar ao vivo, interagir com os atores e compartilhar dos sites e programas que estarão sendo acessados pelos atores.
O Elenco
O elenco trouxe uma importante contribuição para o processo de elaboração do roteiro do espetáculo, tanto no sentido de relatar sensações, observações e vivências desta Nova Humanidade, quanto ao colocar seus próprios corpos ao dispor da cena. As experiências pessoais dos atores, sua percepção do mundo e de seus corpos como signos teatrais neste ambiente tecnológico em que vivemos, foram fundamentais para o processo.
Composto por atores com e sem treinamento formal, integram o elenco: Fábio Ock, Luiza Gottschalk, Marcelo Szykman, Tânia Granussi, Paulinho Faria, Tiago Leal, e quatro transexuais propositalmente incorporados nesta aventura cênica.
Phedra De Córdoba é uma transexual cubana que entrou para Os Satyros em 2003, época da inserção do nosso grupo na realidade da Praça Roosevelt. Seu corpo em cena será a manifestação viva, documento biológico da integração do grupo à Praça.
Esther Antunes é atriz transexual. Viveu no meio teatral durante 30 anos, antes de seu processo de reconstrução de identidade de gênero, como diretor e ator. Em “Hipóteses…”, Esther inicia agora uma nova carreira, com sua nova identidade sexual. Trata-se, portanto, de um corpo feminino de uma atriz iniciante, apesar de seu corpo também carregar a memória do corpo masculino que já existiu e viveu durante 30 anos no meio teatral.
Nos anos 80, houve um grupo de punk rock feminino, cult e único na cena musical off paulistana chamado “As Mercenárias”. Sua baterista, Lou Moreira, acabou nos anos 90 se envolvendo com o universo das drogas e se afastando da cena musical. Sua redefinição de identidade sexual ocorreu há seis anos, assumindo desde então o nome de Leo Moreira. Apesar de não ter treinamento formal como ator, a memória biográfica de Leo Moreira foi fundamental para o roteiro e a criação do espetáculo.
Também destacamos a trajetória de Luiza Gottschalk, que foi apresentadora de programas de televisão sobre games e outros jogos tecnológicos. Ao participar do espetáculo, Luiza retoma sua experiência com o jogo no ambiente teatral.
Em todos os casos dos transexuais assumidos (2 femininos e 1 masculino), os corpos destes atores nos fazem questionar conceitos considerados perenes: a identidade de gênero, algo que deveria ser imutável, atualmente vem sendo (e pode ser) revisto. Hoje podemos construir, através de vários recursos tecnológicos, a nossa identidade corpórea de acordo com aquilo que entendemos ser verdadeiro em nossa identidade emocional. A transexualidade tecnológica é uma das manifestações da Nova Humanidade.
Em cena, estes corpos redefinidos tecnologicamente, virtualmente, experiencialmente; vão portar novos desafios para o espectador e seus conceitos de verdade, real ou cênica.
Teatro Expandido
Uma das principais ideias no processo de elaboração do espetáculo é o Teatro Expandido. Com a evolução tecnológica, os recursos disponíveis para as experiências humanas tornam-se, a cada dia, mais provocadores e transformadores.
Temas como pós-homem e realidade expandida são hoje fundamentais para a compreensão dos caminhos que vamos traçar. O teatro também pode e deve se conectar a estas novas possibilidades. Assim, pretendemos, para o espetáculo, explorar algumas das dimensões tecnológicas disponíveis hoje.
Ainda que estejamos na pré-história dos desdobramentos tecnológicos, já podemos vislumbrar os caminhos que poderão ser percorridos. A Humanidade está sendo redefinida pelo desenvolvimento do mundo virtual, e o Teatro não pode ficar alheio a isto. Quais as implicações destas novas esferas para a experiência teatral?
Mais do que nunca a Nova Humanidade precisa do teatro como experiência corpórea estética única. O Teatro se manifesta com força neste mundo em que o contato físico se torna previsível e descartado. Incorporar a realidade expandida ao Teatro só revigora as potencialidades virtuais do Teatro, ainda inexploradas. O ator expandido será o tema do futuro não muito distante.
Hipóteses para o Amor e a Verdade
Sinopse: Humanos, reais e virtuais, vivendo na megalópole do hemisfério sul, buscam quebrar os muros de suas solidões através do amor, real ou virtual
Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Direção: Rodolfo García Vázquez
Assistente de direção: Fábio Penna
Cenário e Figurino: Marcelo Maffei
Iluminação: Rodolfo García Vázquez e Fábio Cabral
Elenco: Esther Antunes, Gustavo Ferreira, Leo Moreira, Maria Casadevall, Paulinho Faria, Phedra De Córdoba, Tânia Granussi e Tiago Leal.
Realização: Os Satyros
Assessoria de Imprensa: Robson Catalunha
Direção de produção: Erika Barbosa
Quando: Sábados, 19h. Domingos, 21h.
Onde: Espaço dos Satyros Um – Praça Franklin Roosevelt, 214
Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt).
Lotação: 70 lugares
Duração: 90 min.
Classificação: 18 anos
Fonte: Os Satyros | www.satyros.uol.com.br

