Gestão de riscos como estratégia de negócios

HSM

Em entrevista ao portal HSM Online, Luiz Tadeu Arraes Lopes, sócio-diretor da Torres Associados Consultores de Benefícios, fala sobre a importância da gestão de riscos e dos benefícios para as empresas e seus colaboradores. Para o consultor, que atua no apoio estratégico de análise de riscos corporativos em benefícios e investimentos, muitas empresas têm tido neste quesito um elevado custo em seu orçamento, o que se equipara até mesmo a folha de pagamento. Confira abaixo a entrevista completa.

HSM Online – Em primeiro lugar, como podemos definir uma boa gestão de risco para as empresas?
Luiz Tadeu Arraes – A gestão do risco, especificamente em saúde, que é a área que atuamos, tem de possuir métricas e dentro destas, a avaliação de recursos humanos deverá ser no uso consciente do plano para que o benefício tenha os melhores resultados para os colaboradores e seus dependentes. Assim sendo, é interessante notar que se formos observar uma amostragem, é muito comum vermos que o público masculino normalmente utiliza-se do plano de saúde em momentos críticos quando a situação da saúde do colaborador já está seriamente comprometida.

Exemplos deste tipo de situação na gestão diária é o baixo uso de consultas urológicas e consultas cardíacas. Uma análise estatística séria poderia prever possíveis picos futuros de alta na sinistralidade do plano, assim como direcionar de forma mais producente outros usos no sentido de prevenir doenças e riscos, que no médio prazo terão grandes impactos financeiros no plano de saúde. Não há maneira mais barata do que avaliar estatisticamente um plano no sentido de observar futuras e perigosas situações que levarão às negociações “sob pressão“ por parte da empresa.

HSM Online – No caso das negociações entre empresas e operadoras, a gestão deste risco passa a ser uma tarefa complexa. Neste caso, o que seria uma má gestão para a empresa?
LTA – Um exemplo de má gestão no risco são às vezes as pressões que a empresa faz junto às operadoras de saúde no sentido de conseguir descontos na sua fatura. Uma vez que nem sempre o risco está de fato bem equilibrado e a adoção do desconto poderá ocasionar um desequilíbrio técnico atuarial, as consequências de uma política deste tipo por parte da empresa ocasionará em um futuro próximo, impactos deficitários definitivos na apólice, ocasionando às vezes até reajustes maiores do que o desconto obtido no passado. É importante colocar que o equilíbrio e o bom senso sempre deverão prevalecer no dia-a-dia do benefício.

Orientar o uso do plano junto aos funcionários sempre é uma maneira de minimizar usos inadequados e desequilíbrios futuros, assim como metrificar adequadamente o histórico do plano na empresa para prever impactos futuros.

HSM Online – Partindo do ponto que esta gestão de risco nas empresas, exige hoje do gestor uma visão estrutural do mercado de Saúde em todas as suas ramificações, no intuito de avaliar possíveis tendências conflitivas que possam afetar a empresa, como as organizações podem estudar os cenários e se estruturar com estratégias para fazer uma boa gestão de risco?
LTA – A resposta para esta pergunta define-se em capacidades de traçar relações do que está acontecendo no mercado e suas influências nos planos empresariais. A empresa poderia estudar alguns cenários para se chegar a algumas conclusões por relação. Um exemplo desta situação é a de que o benefício de saúde já algum tempo tornou-se uma seara jurídica para todos os interessados, sejam eles colaboradores, a empresa, as operadoras e a Justiça Trabalhista.

Outro exemplo é o de que ganhos na justiça trabalhista vieram a tornar planos administrados e autogestões mais arriscados para as empresas que os possuem. É sabido também que as recentes consolidações das operadoras e mesmo laboratórios e hospitais terão de ter uma resposta negociada das empresas no sentido de fazer frente a esta tendência. O RH realmente terá de acompanhar como a estrutura do mercado da saúde esta se modificando e suas conseqüências no curto, médio e longo prazo.

HSM Online – Quanto as empresas gastam em média anualmente com este tipo de gestão? E o quanto poderiam economizar?
LTA – O benefício de saúde tornou-se a priori “o benefício”. Hoje seu impacto no orçamento das empresas é crescente e preocupante, podemos dizer que seu custo tende a ser igual ao da folha de pagamento, obviamente considerando que cada empresa tem uma estrutura própria deste benefício. A resposta a quanto poderiam economizar não pode ser respondida objetivamente, cada situação é um caso. O que se espera é o esforço diário de toda a organização em prol de policiar o uso de um plano de saúde, o que se considera como uma atitude em que a disciplina e consistência das atividades reverterão para o bem de todos.

HSM Online – Então, quantificar estas economias é algo difícil de demonstrar?
LTA – Sim. Espera-se que a manutenção dos custos do fechamento do plano de saúde da empresa por alguns anos já seria de bom tamanho, uma vez que vários fatores podem ocorrer e não são de domínio da empresa como demissões, estresse no trabalho e o próprio risco em si. O que não se pode fazer é visualizar o problema apenas nas épocas de negociação com a operadora, ou mesmo não estabelecer cenários no caso de o grande risco ocorrer – como UTI neonatais, oncologia, e muitos outros. Digamos que o planejamento estratégico hoje deveria fazer parte das atividades de recursos humanos no benefício de saúde.

HSM Online – Na sua visão, qual é o hoje o melhor modelo de Gestão de Risco?
LTA – Cada empresa considera o que seria seu melhor modelo. Para algumas a cooperativa médica é a melhor solução, para outras o seguro saúde ou assistência médica, ou outros. O que não se pode fazer é apenas considerar o aspecto do custo como ponto de partida.

Este é um setor em que as economias podem trazer posteriormente grandes impactos futuros no atendimento e mesmo na solvência da operadora, como situações recentes mostraram no mercado com operadoras que estiveram sob intervenção da Agência Nacional de Saúde. Poderíamos dizer que o melhor modelo de gestão do risco começa com a escolha da operadora, pois é ela que será a plataforma de todas as ações futuras e a seriedade de seu trabalho impactará diretamente a gestão do risco na empresa.

HSM Online – Cite alguns setores bem-sucedidos no que tange a Gestão de Risco.
LTA – O sucesso neste setor nunca é garantido. Um evento fora da curva sempre é possível, no entanto até pela experiência histórica com riscos em outros setores torna o segmento bancário como tendo uma grande expertise na administração de planos de saúde. Além disso, o setor supermercadista também tem uma tradição relativamente boa na gestão do risco.

Fonte: HSM | www.hsmglobal.com.br

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