Como negociar seu salário

Universia

“Jingle bell, Jingle bell.” Sim, o natal está chegando e o novo ano se aproxima. Você já parou para pensar nas suas conquistas de 2006 e como pretende entrar em 2007? Esta fase de transição é bastante oportuna para estas reflexões, especialmente em relação a sua carreira. Se você passou o ano assumindo novas responsabilidades e trabalhando com afinco e dedicação, esta pode ser a chance para pleitear um aumento de salário ou buscar uma promoção.

Em geral, o fim do ano é uma época em que os profissionais costumam ser reconhecidos pelo bom trabalho que desempenharam ao longo dos últimos 12 meses. Porém, isto não acontece graças ao espírito natalino que embala o coração dos gestores, mas, sim, porque é possível visualizar com maior clareza os projetos já finalizados e os bons frutos que eles renderam para a empresa. “Em especial para o setor de comércio e serviços, o final do ano é bastante produtivo e permite maior mobilidade nas questões financeiras da companhia”, revela a professora de Economia do Ibmec São Paulo, Regina Madalozzo.

No entanto, antes de cantar aos quatro ventos “eu quero um aumento” e entrar de sola na sala de seu chefe, é importante estar atento a alguns detalhes para não colocar tudo a perder. O cenário político-econômico do país é um deles. Segundo a professora, em decorrência das especulações e dos casos de corrupção que vieram à tona nos últimos meses, o mercado está retraído, e isto tem tido impacto na economia. “As empresas estão cautelosas e com certo receio em aumentar gastos. A ordem é controlar”, revela.

E como diz a sabedoria popular… “a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco”, estes fatores tendem a atingir em cheio os jovens, que atualmente são mão-de-obra barata e de simples reposição por conta da enorme oferta de profissionais com este perfil. “O jovem é facilmente substituído. Por isso, eles são os que mais devem ter cuidado no momento de negociar o aumento de salário”, diz. Porém outro ponto a ser levado em consideração é o crescimento da companhia em que você trabalha. “Se a empresa vai bem e as metas estão sendo cumpridas, este é um bom indicador para investir nesta conversa”, diz.

É preciso também observar algumas questões que podem ser responsáveis pelo sucesso ou o fracasso no momento de negociar o salário. “Este é sempre um assunto delicado, tanto para o gestor como para o funcionário”, ressalta Gerusa. Em parte porque o gestor se sente pressionado, já que deveria, instintivamente, reconhecer o talento de seu subordinado e, ainda, porque o funcionário está na expectativa do reconhecimento. Logo, qualquer passo em falso pode resultar em uma catástrofe para ambos os lados.

Preparando o terreno
Se você está mesmo decidido a investir nesta empreitada que, em muitos casos, pode ser uma aventura, o primeiro passo é a preparação. Imagine entrar na sala de seu chefe, encará-lo olho no olho e começar a gaguejar? Terrível, não? Para evitar este constrangimento, planeje bem suas ações e tenha seu discurso na ponta da língua. “O texto deve estar afiado e recheado de ações cujos resultados renderam bons frutos para a empresa, bem como as responsabilidades detidas em suas mãos nos últimos tempos”, revela a consultora.

Embora pareça clichê, as variações de humor do seu chefe indicam, e muito, o quanto pode ser bem-sucedida uma conversa desse teor. Sendo assim, prefira dias menos atribulados em que ele aparente estar de bom-humor.

Segundo Gerusa, uma boa hora para conversar com seu gestor é logo depois de você ter obtido êxito em algum projeto, quando o resultado ainda está fresco na cabeça de todos. “Nestes momentos, os argumentos estão bem palpáveis. Um discurso bem fundamentado com a presença dessas ações certamente é eficiente”, explica.

Outra dica é demonstrar para seu gestor que o aumento vem como forma de reconhecimento de seu trabalho, e não apenas pela necessidade de ganhar mais. O funcionário pode colocar tudo a perder caso aponte o salário como única fonte de motivação para continuar na empresa. “As empresas apostam em funcionários que se identificam com o perfil da companhia e descartam os que só permanecem lá pela estabilidade financeira”, esclarece. Além disso, a consultora alerta: “Dizer ao seu chefe que em qualquer outra empresa estaria sendo mais bem remunerado geralmente é o mesmo que enterrar a possibilidade de receber um aumento de salário ou ter um futuro promissor.”

No momento da conversa, são boas alternativas mostrar interesse em suas tarefas e dizer o quanto sente vontade de inovar na empresa. “A motivação do funcionário e as propostas que ele pode sugerir para o crescimento da empresa comumente são ouvidas com entusiasmo”, afirma Gerusa. Esta é uma carta que o bom funcionário tem nas mãos e deve aproveitá-la.

Não é não?
Quem preparou bem o discurso deve estar ciente de que o NÃO também pode ser dito por seu chefe. O que é certo é que fica melhor na foto quem tem jogo de cintura e o aceita sem perder o rebolado, diante daquele que bate o pé e parte para ameaças veladas, como, por exemplo: “Vou buscar outras alternativas”. Segundo Gerusa, o NÃO pode ser conseqüência de uma série de fatores que nem sempre estão ligados ao desempenho do funcionário. “Em geral, as empresas reconhecem e valorizam os bons trabalhadores. Uma negativa de aumento pode refletir a existência de outras questões importantes, como o momento vivido pela empresa, por exemplo”, pontua.

É importante lembrar que a negativa também pode servir para o funcionário refletir sobre sua postura na empresa, sua posição no mercado e se é realmente ali que ele pretende continuar a investir. Além disso, pode ser uma maneira de levá-lo a descobrir que pode explorar mais seu potencial para que, em um futuro próximo, não precise ter esta conversa, mas tenha seu talento reconhecido espontaneamente por seu gestor. “A negativa não é eterna. Um NÃO dito hoje pode levar a um SIM no futuro. O importante é saber administrá-lo”, reforça a consultora.

Fonte: Universia | www.universia.com.br

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