Ética e Competitividade

A discussão sobre ética vai ganhar a cada dia uma importância de maior impacto no conjunto de resultados de uma organização. Entretanto, a aplicação desse conceito será muito mais abrangente do que a questão moral envolvida, que é a única preocupação ética com a qual nos envolvemos hoje, e vai ganhar uma dimensão conceitual de maior relevância. O entendimento de ética como integração do indivíduo com sua essência básica vai passar de uma imagem de retórica para ser a premissa na gestão dos talentos humanos das organizações. A cidadania, a missão individual dentro do ambiente coletivo, as aspirações sobre o futuro, a integridade do comportamento e a integração dos valores como família, trabalho, lazer e carreira. Todo esse conjunto de crenças e o reflexo das atitudes na sociedade e no mercado vão passar a ser preocupações de primeira ordem para qualquer empreendimento que deseje se perpetuar no tempo.

O nível de estresse, a qualidade das relações e a harmonia das atividades na produção de resultados têm repercussões éticas muito mais impactantes do que nossa percepção alcança hoje. Esse desenvolvimento será vital para as empresas e é uma das tendências de maior abrangência porque extrapola as questões puramente de mercado e muda de forma profunda a responsabilidade social da empresa, numa visão que não se compõe de fronteiras, internas ou externas. Assim a empresa passa a ser um ambiente de educação para a vida e um palco de desenvolvimento dos indivíduos que a compõem, transmutando muito mais do que insumos, gerando uma nova consciência.

A Primeira Lei da Ética afirma que quando maior a distância entre o comportamento e a ética, maior o nível de estresse. Isso porque a ética significa integração com a essência e o indivíduo que não está em sintonia com sua essência, respeitando limites e valores, está em estado de estresse. Diferente da moral, que é o conjunto de hábitos e costumes que formam a cultura de um grupo, seu modo de ver e agir no mundo, e que muda no tempo e no espaço, a ética são princípios humanos, biológicos e naturais que não variam. Ao longo do desenvolvimento humano os grupos vão descobrindo os valores éticos, incorporando-os e seu progresso depende, especialmente, do nível desenvolvido pela consciência ética.

Como são princípios norteadores estão presentes em nossos registros básicos e, portanto, apesar de certas atitudes serem aceitas por um grupo, os indivíduos sabem a diferença entre certo e errado, entre justo e injusto, entre verdadeiro e desonesto. É preciso coragem, maturidade e elevação do nível de consciência para escolher a opção ética, porém, a médio e longo prazo, essa se mostra a opção mais correta porque permite ao indivíduo um progresso sem amarras, uma liberdade de comportamento e uma tranqüilidade moral que lhe dá cada vez mais condições de avançar em termos de sucesso.

Agir eticamente é ser competitivo, comprometido consigo mesmo, em sintonia com a essência. Esse é o comportamento que vai marcar as carreiras mais bem sucedidas das próximas décadas. Decisões e ações geram conseqüências que precisam ser sempre medidas, porém a ética, como bússola, vai permitir um navegar tranqüilo pela vida, com menor estresse e maiores realizações. Sendo assim, o que pode ser mais competitivo do que ser ético?

Fonte: Work | www.work.com.br/

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